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Do frevo pernambucano à dança do bambu paulista, do siriri mato-grossense ao boi-bumbá de Parintins. Arraiá do Diversitas. Festa Junina

Arraiá do Diversitas: Um Brasil de Cores e Tradições

24/06/2026

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Há festas que ficam na memória. E há festas que, mais do que ficar, ensinam. O Arraiá do Colégio Diversitas deste ano foi uma dessas. Não apenas pelo colorido, pelas comidas típicas ou pela alegria contagiante, mas porque, em cada apresentação, os alunos nos convidaram a viajar pelo Brasil sem sair do pátio da escola.

Do frevo pernambucano à dança do bambu paulista, do siriri mato-grossense ao boi-bumbá de Parintins, cada turma trouxe um pedaço da nossa história. E, no meio de tanta diversidade, um fio invisível uniu tudo: a tradição da quadrilha, que todas as turmas apresentaram.

Veja também: Danças apresentadas na íntegra 

Os pequenos do Maternal, do Primeiro e do Segundo Período abriram as apresentações com um pot-pourri de danças de várias regiões do país, uma verdadeira introdução à diversidade cultural brasileira. A partir daí, cada turma assumiu um ritmo e o transformou em espetáculo.

O forró que veio do sertão

O Primeiro Ano trouxe para o palco o xote e o baião, dois ritmos que são a espinha dorsal da música nordestina. O baião, que surgiu na década de 1940 e foi imortalizado por Luiz Gonzaga, mistura influências africanas, indígenas e europeias. É dançado em pares, com passos como o balanceio, o rodopio e a famosa "umbigada".

O xote, por sua vez, é uma dança mais calma, de origem alemã, mas que foi tão incorporada ao Nordeste que hoje é impossível dissociá-la do forró pé-de-serra. Juntos, xote e baião contam a história de um Brasil que dança para celebrar a vida, mesmo nas terras mais secas.

Danças mineiras: a tradição que vem das gerais

O Segundo, Terceiro e Quarto Ano emocionaram com as danças mineiras. Minas Gerais é um caldeirão cultural, onde as tradições portuguesas se encontraram com as africanas e indígenas, criando um repertório de folguedos, congados e catira que atravessam gerações. Ao dançarem, os alunos resgataram um pouco dessa memória nossa.

Siriri: a dança-mensagem do Centro-Oeste

O Quinto Ano brilhou com o siriri, uma das danças mais antigas da região Centro-Oeste. De origem incerta, o siriri mescla aspectos culturais indígenas, africanos e europeus. Acompanhado por viola de cocho, ganzá e tamborim, ele é conhecido como "dança-mensagem" porque sua coreografia transmite respeito e culto à amizade. Ver os alunos executarem os passos, com os homens de braços nas costas e as mulheres mexendo as saias, foi como assistir a uma página viva da história do Pantanal.

Caninha Verde

O Sexto Ano dançou a Caninha Verde, ritmo que vimos pela primeira vez no Diversitas. Uma coreografia de origem portuguesa da região do Minho, introduzida no Brasil durante o ciclo da cana-de-açúcar. Dançada em pares, com bastões que marcam o ritmo e formam uma grande roda, essa dança é um testemunho da presença portuguesa em nossa formação cultural. Ao vê-la no Arraiá do Diversitas, foi possível sentir o elo entre o Brasil e a antiga metrópole, não como submissão, mas como parte da nossa rica tapeçaria cultural.

Boi-bumbá: a alma da Amazônia

O Sétimo Ano fez uma homenagem emocionante ao boi-bumbá de Parintins, com os dois grandes rivais: o Caprichoso, o touro negro fundado em 1913 por famílias nordestinas, e o Garantido, o boi do povo, cuja história remonta a uma promessa feita a São João Batista. O festival de Parintins, que acontece desde os anos 1960, é uma das maiores manifestações culturais do Brasil, mobilizando torcidas apaixonadas e preservando as tradições da região amazônica.

Frevo de volta: quando a tradição se repete

O Oitavo e o Nono Ano surpreenderam com uma coreografia especial. Eles pediram para repetir uma dança que já haviam feito na sexta série, um frevo maravilhoso que, segundo eles, merecia ser revivido. E foi muito legal ver como aqueles passos, aprendidos anos atrás, ainda estavam tão vivos em suas memórias corporais. O frevo, que é dança de rua, de bloco, de festa, mostrou que também pode ser dança de reencontro.

O frevo nasceu no final do século XIX, nas ruas do Recife, como resultado da rivalidade entre bandas militares e os recém-libertos da escravidão. O próprio nome vem de uma corruptela do verbo "ferver". E não é para menos: a dança é frenética, acelerada, cheia de passos acrobáticos que exigem equilíbrio e disposição.

Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco em 2012, o frevo é marcado pelo uso das pequenas sombrinhas coloridas e por uma musicalidade tocada por instrumentos de sopro. Ao ver nossos alunos executarem aqueles passos, era impossível não lembrar que a dança carrega em si a história de luta, liberdade e alegria de um povo.

A quadrilha: o coração da festa junina

E, claro, não poderia faltar a quadrilha. Todas as turmas, do Maternal ao Nono Ano, apresentaram a tradicional quadrilha junina, aquela que todo brasileiro conhece, com seus noivos, seus passos marcados e sua alegria contagiante.

A quadrilha tem origem na Inglaterra do século XIII, mas foi na França que ganhou o nome "quadrille", por ser dançada por quatro ou oito casais dispostos em um quadrado. Chegou ao Brasil ainda no século XIX, nas cortes do Rio de Janeiro e Salvador, e aos poucos foi se popularizando. Com o tempo, incorporou ritmos nordestinos, indígenas e africanos, até se tornar a dança que conhecemos hoje: a grande celebração do mês de junho, com suas roupas caipiras, suas músicas animadas e seu casamento que homenageia Santo Antônio, o santo casamenteiro.

Dançar isso é como um ritual de pertencimento, uma forma de dizer: "eu faço parte disso, eu sou brasileiro".

Veja também: A História da Festa Junina e as Tradições de Cada Região do Brasil 

Por que tudo isso importa

O Arraiá do Colégio Diversitas não foi apenas uma festa. Foi uma celebração da diversidade cultural do Brasil, dançada por quem está aprendendo a conhecer e respeitar as diferenças. Cada passo, cada figurino, cada música contou uma história.

Em um mundo cada vez mais globalizado, onde as tradições correm o risco de se perder, ver crianças e adolescentes dançando frevo, siriri, boi-bumbá e quadrilha é um ato de resistência. É dizer que a cultura brasileira é viva, que ela se renova a cada geração e que, no Diversitas, a gente aprende com o corpo inteiro.

Parabéns a todos os alunos, professores e equipe que tornaram esse Arraió inesquecível!

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O blog do colégio Diversitas tem por objetivo ajudar as famílias e compartilhar momentos especiais vividos pelos nossos alunos. Venha conferir!

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