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19/06/2026
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Dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS, analisados pela imprensa em janeiro de 2026, mostraram que as internações de crianças e adolescentes de 0 a 19 anos por transtornos mentais e comportamentais dobraram em cinco anos em estados como São Paulo. Enquanto a população geral viu um aumento de 40% nas internações, o público infantojuvenil teve um crescimento de 103% entre 2020 e 2024.
Outro dado local preocupante vem do Ceará. O Hospital Infantil Filantrópico de Fortaleza registrou 693 internações psiquiátricas de crianças e adolescentes em 2025, um número 11% maior que o de 2024, mantendo uma taxa de ocupação de 100% em sua ala especializada. Desses casos, 90% envolvem quadros como transtornos mentais, crises ansiosas e depressivas, e comportamentos de risco à vida .
Sofrimento emocional na infância é qualquer estado persistente de desconforto psíquico que afeta o bem-estar, o comportamento ou o desenvolvimento da criança. Não se trata de uma tristeza passageira ou de uma birra momentânea. É algo que se instala no tempo e começa a impactar áreas importantes da vida, como a escola, as amizades, o sono, a alimentação ou a disposição para brincar.
Esse sofrimento pode ter diversas origens. Pode vir de conflitos familiares, como separações ou brigas constantes entre os pais. Pode vir de dificuldades na escola, como bullying, pressão por notas ou rejeição por parte dos colegas. Pode vir de mudanças significativas, como um nascimento, uma mudança de cidade ou a perda de um ente querido. E pode vir, também, de fatores internos, como transtornos de ansiedade ou depressão infantil, que existem e são mais comuns do que se imagina.
Veja também: O Papel da Escola na Saúde Mental dos Alunos
O importante é entender que o sofrimento emocional infantil não é frescura. Não é manipulação. Não é falta de limites. É um sinal de que algo não vai bem e que a criança precisa de ajuda para elaborar o que está vivendo.
Segundo o manual de orientação sobre depressão na infância e adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) crianças nem sempre sabem dizer com palavras que estão sofrendo. Muitas vezes, elas mostram. O sofrimento se expressa por meio do corpo, do comportamento e das emoções. Os pais precisam estar atentos a mudanças significativas no jeito de ser da criança.
Sinais físicos
Dores de barriga ou de cabeça frequentes sem causa médica aparente. Cansaço excessivo. Alterações no apetite, comendo muito mais ou muito menos do que o habitual. Dificuldade para dormir, pesadelos recorrentes ou medo excessivo de ficar sozinho para dormir. Enurese noturna, que é o retorno do xixi na cama depois de já ter superado essa fase.
Sinais comportamentais
Queda no rendimento escolar sem motivo aparente. Recusa em ir para a escola ou choro frequente na hora de se despedir dos pais, mesmo após o período de adaptação. Isolamento social, evitando brincar com os colegas ou participar de atividades que antes gostava. Agressividade ou irritabilidade fora do padrão da criança. Comportamentos regressivos, como voltar a falar como bebê ou a demandar cuidados que já não eram mais necessários.
Sinais emocionais
Tristeza persistente, com a criança parecendo apática ou desinteressada pela maior parte do dia. Choros frequentes e sem motivo claro. Medos exagerados que paralisam a criança e impedem que ela faça coisas simples. Baixa autoestima, com frases como eu sou burro, ninguém gosta de mim ou tudo dá errado para mim.
Sinais de alerta grave
Em situações mais extremas, podem surgir comportamentos de automutilação, ideação suicida ou ameaças de se machucar. Esses sinais exigem intervenção imediata. Não se deve esperar. Procure ajuda profissional urgente!
Acolher uma criança que sofre não é fácil. Exige paciência, escuta e, muitas vezes, um esforço para não projetar nos filhos as nossas próprias frustrações. Mas algumas estratégias são comprovadamente eficazes.
Validar o sentimento, não minimizar
Frases como não é para tanto, deixa de frescura ou você não tem motivo para estar triste são profundamente prejudiciais. Elas ensinam a criança que seus sentimentos não importam ou que ela não tem direito de senti-los. Experimente dizer: eu vejo que você está triste. Quer me contar o que aconteceu? ou eu entendo que você está passando por um momento difícil. Estou aqui com você.
Oferecer presença, não soluções imediatas
Muitas vezes, os adultos querem resolver o problema da criança rapidamente para que ela pare de sofrer. Mas, antes de qualquer solução, a criança precisa se sentir segura e acolhida. Às vezes, o que ela mais precisa é de um colo, de um abraço ou simplesmente de alguém que fique ao seu lado em silêncio.
Manter a rotina como estrutura de segurança
Em momentos de sofrimento, a rotina se torna um importante regulador emocional. Horários previsíveis para comer, dormir, brincar e estudar dão à criança uma sensação de controle e segurança. Evite mudanças desnecessárias em períodos de instabilidade emocional.
Estimular a expressão por outros meios
Crianças pequenas nem sempre conseguem nomear o que sentem. Desenhar, brincar de faz de conta, contar histórias ou usar fantoches pode ajudá-las a externalizar o que está dentro delas. Observe o que a criança desenha, como ela brinca com as bonecas ou com os bichinhos. Essas atividades são pistas valiosas sobre seu mundo interno.
Dar nome ao que a criança sente
Ajudar a criança a nomear suas emoções é essencial. Você pode dizer: parece que você está com medo agora. Ou acho que você está sentindo saudade. Quando a criança aprende a identificar o que sente, ela ganha um recurso fundamental para lidar com aquela emoção no futuro.
Há situações em que o acolhimento familiar e escolar não é suficiente. O sofrimento emocional pode ter intensidade ou duração que exigem a intervenção de um profissional de saúde mental. Alguns indicadores de que está na hora de buscar ajuda incluem a persistência dos sintomas por mais de duas semanas, a piora progressiva do quadro, o prejuízo significativo no desempenho escolar, o isolamento social completo, os comportamentos de automutilação ou ideação suicida.
Nesses casos, o caminho mais indicado é procurar um psicólogo infantil ou um psiquiatra da infância e adolescência. O Colégio Diversitas também pode auxiliar, por meio de sua equipe pedagógica e de orientação educacional, a identificar os sinais e orientar as famílias sobre os melhores encaminhamentos.
A escola não substitui o atendimento clínico, mas tem um papel fundamental na identificação precoce e no acolhimento do sofrimento emocional infantil. No Colégio Diversitas, acreditamos que a educação não se limita ao ensino de conteúdos acadêmicos. Cuidar das emoções é parte central do nosso projeto pedagógico.
Nossos professores são capacitados para observar mudanças de comportamento e acolher as crianças em seus momentos difíceis. A orientação educacional está disponível para conversar com alunos e famílias sempre que necessário. E a biblioteca escolar oferece livros que tratam de emoções e sentimentos de forma lúdica e acessível, ajudando as crianças a nomear e compreender o que sentem.
Além disso, trabalhamos a educação socioemocional de forma sistemática, com atividades que desenvolvem autoconsciência, autorregulação, empatia e habilidades de relacionamento. Essas competências não previnem totalmente o sofrimento, mas dão às crianças ferramentas para lidar com ele quando ele vier.
Se precisar de apoio, o Colégio Diversitas está aqui para ajudar. Nossa equipe pedagógica está à disposição para conversar, orientar e, se necessário, encaminhar as famílias para profissionais especializados.
Seu filho não precisa passar por isso sozinho. E você também não.
Crianças pequenas podem ter depressão?
Sim. A depressão infantil existe e pode se manifestar a partir dos três anos de idade. Os sintomas incluem tristeza persistente, perda de interesse por brincadeiras, alterações de sono e apetite, e comportamentos regressivos.
Como diferenciar birra de sofrimento emocional?
A birra geralmente é uma reação pontual a um limite ou frustração. Ela tem início claro, duração curta e tende a diminuir quando a criança obtém o que quer ou quando o adulto impõe o limite com firmeza. O sofrimento emocional é mais difuso, persistente e aparece em diferentes contextos.
O que fazer se a criança diz que não quer ir para a escola?
Primeiro, não force a ida sem investigar. Converse com a criança para entender o motivo. Pode ser um problema com colegas, com o professor, dificuldade de aprendizagem ou simplesmente cansaço. Depois, converse com a escola. No Diversitas, a orientação educacional está sempre disponível para ajudar nessa escuta.
Meu filho tem dores de barriga toda vez que vai para a escola. O que pode ser?
Dores de barriga sem causa médica são um dos sinais mais comuns de sofrimento emocional associado à escola. Pode ser ansiedade de separação, medo de algo que acontece na escola ou sobrecarga de atividades. Um pediatra deve descartar causas orgânicas. Depois, a escola e a família devem trabalhar juntas para identificar a origem emocional.
Quando devo procurar um psicólogo infantil?
Quando os sintomas persistem por mais de duas semanas, quando prejudicam significativamente a vida da criança ou quando há comportamentos de automutilação ou ideação suicida. Em caso de dúvida, procure orientação profissional. É melhor pecar pelo excesso de cuidado do que pela falta.